sábado, 30 de novembro de 2013

Mudar faz-se necessário



Adeus Asteroide...

Adeus sub-mundo onde existia, e coexistia um nó’s que se desfez no tempo.
Tempo este, onde nascemos e morremos por tantas vezes, vinte e sete pra ser exata.
Como tudo um dia acaba, os motivos pelo qual o Asteroide existiu, também passou. E só restou as palavras que se eternizaram nele.
O que não diminui as memórias e todo o extremo do sentir que habita o Asteroide. 
Assim como o Pequeno Príncipe um dia voltou para o planeta dele, o Asteroide, voltou para seu lugar de origem e adormeceu.
Deu lugar ao meu lado coruja, que se escuta depois que o sol se põe, e a cidade silencia. E ouvindo-me traduzo em palavras o sentir manifestado no silêncio noturno.
Insônia...
É o que restou dos nós, agora desfeitos.
Porém 'Almas uma vez entrelaçadas, jamais se deslaçam!'
O Asteroide amadureceu, e escolheu manifestar-se no 'Insone'.

Um Capuccino extra-forte por favor?!








O título também se foi

Eu  não me sou, se não a tenho.
Cadê eu?
Com sua partida foram-se meus poemas, minhas rimas, meus sonetos, minhas prosas.
Nossas prosas, (filosóficas em sua maioria).
Foi-se o eu poeta- poetiza, o eu-amor.
Sem seu olhar a me fitar não me vejo. 
Não tem espelho que me permita este feito.
E hoje eu só precisava me enxergar nas suas retinas.
Seus olhos que embora negros, conseguiam iluminar minha alma-versos. Seu corpo espelhado ao meu, dando-me inspiração a prosear no Asteroide.
“Aonde está você agora, além de aqui dentro de mim?”
É entre a falta que tua presença me faz, que percebo as lacunas deixadas por tua ausência, que me procuro nos labirintos do sentir, e não me acho.
Não me sinto. Não me sou.
Cadê eu?
Cadê você?
Preciso de você para ser.
Ser.
Se?
Era, éramos.
Poesia.

Eu não me sou, se não a tenho! 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Insone

Não tem jeito, nunca vai mudar.
Há um ciclo nesse tal de amor. Começa curando, termina doendo!

Você percebe que algo está realmente errado quando pela sétima noite você está sem sono, sem fome, e com um vazio enorme no peito.
É madrugada, há sete dias meus pensamentos me traem e pensam só o que eles querem. Não adianta tentar abstrair, distrair ou qualquer outro adjetivo.
Tudo me lembra você, meu quarto, meu sofá, a mesa da cozinha, minha varanda, meu cachorro, o eco do tic tac do relógio, o pulsar do meu coração. Este, por sua vez, tem apanhado feio do efeito das memórias que insistem em me invadir.
O motim que antes era da bagunça do meu quarto, hoje está nas lembranças, e no coração. E eu já não os controlo mais.
O que antes veio aparentemente para curar, hoje machuca, dói, fere, sangra, mata.
E eu passiva, morro. 
Sem reagir, levanto as mãos e entrego tudo o que eu tenho, ou tinha.
Morro por um amor que já me matou outras vezes, e por este mesmo amor, eu fiz questão de renascer para revivê-lo com toda dignidade que pensei que ele merecia.
Errei.
Errei feio quando entrei naquela rua escura do sentir, confiante nos meus passos (que antes tinham os seus ao meu lado,) não sabia os riscos que corria.
Não sabia que na primeira rua sem saída, você voltaria atrás ao invés de saltar o muro comigo e desbravar  o horizonte que nos esperava por trás dele.
E não bastava partir,  e me deixar sozinha na rua escura/ Tinha mesmo que destruir o órgão vital para mim, que já foi vital pra nós?
Hoje, é entre minhas noites insones, cafeína e cigarro que vasculho entre os destroços, algo que tenha se salvado do meu coração, que você fez questão de quebrar.
Junto os pedaços, os colo. E o tic tac do relógio me diz para esperar a cola secar, e  isso, é só com o tempo.  
Para quem sabe recomeçar um outro ciclo, onde se vive e morre novamente.
E que este, me devolva o sono, os sonhos, e a saúde do meu coração.


"Um café e um amor. Quentes por favor!"




"And who do you think you are?
Runnin' 'round leaving scars
Collecting a jar of hearts
Tearing love apart
You're gonna catch a cold
From the ice inside your soul
Don't come back for me
Who do you think you are?”
“Você vai pegar um resfriado do gelo dentro da sua alma”

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Shiiiu... Silêncio.

“Exercendo meu direito de permanecer em silêncio. Só falo em juízo com a presença dos meus advogados”

Eu, que sempre prezei pela argumentação até que me entendessem, eu que sempre prezei pelas cordas vocais em ação, sempre prezei pelos sons da minha voz ao silêncio, escolho, silenciar-me.
Pela primeira vez eu escolho por entrar dentro do meu casulo, ou bat caverna e encontrar comigo mesma.
Me afasto, me silencio, e me ouço, me conheço, (ré)-conheço.
Percebi que preciso desse tempo entre os meus eu's , para me resgatar, ir ao fundo do poço buscar os meus restos e voltar com o balde cheio.
É que nesse meio tempo entre meus 23 anos, passaram tantas pessoas, me doei tanto, que hoje me falto pedaços.
E para eu me ser novamente, é necessário me (ré)-construir, me (ré)compor.
RÉ = Voltar atrás e juntar os destroços do meu coração, para me conhecer novamente, me compor novamente, me construir novamente...
E é entre a desaprovação das pessoas, que cedo à minha vontade. Não que eu esteja sendo egoísta ou desistindo da vida, ou de mim, ou de qualquer coisa. É justamente para não desistir de tudo que escolho me “internar para um tratamento intensivo.”
Como um acidentado que chega ao hospital e vai para o CTI, estou no meu CTI, me tratando, me ouvindo, me silenciando.
Eles não entendem que hoje eu dependo do meu silêncio para voltar inteira para eles.
É que eu não me contento com restos, ou pedaços, e não quero ser metade pra ninguém.
Se não for pra ser inteira, não seja!
Hoje ninguém vai me tirar o direito de ficar na bat caverna ouvindo o barulho da chuva lá fora, com minha xícara de café, na companhia dos meus silêncios.
Sem clichês de que “é só uma fase”, “você vai sair dessa” ou “ninguém merece seu sofrimento”, “você precisa reagir”.
Estou reagindo, e minha reação é esta, me trancar dentro de mim mesma, e ficar de conchinha com meus pensamentos, dúvidas e conclusões.
Talvez dure sete dias, ou vinte e sete, quem sabe?!
Mas hoje descanso minhas cordas vocais e dou férias à argumentação.
Por todos esses seiscentos e trinta e cinco dias eu me silencio, e me ouço.

Shiiiu!!! Silêncio. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Motim



Cheguei, tirei os sapatos e a mochila pesada das costas, tirei os óculos embaçados das lágrimas derramadas, e me joguei em meio à bagunça do meu quarto.
Olhos fixos no teto branco, encaro com frieza a lagartixa que passeia presa ao teto. Na parede algumas fotografias também desordenadas.
Pelo chão roupas sujas, limpas, alguns pares de meias perdidos, sapatos com os pares separados, cama por esticar, ursinhos jogados, embalagem de chocolate, e a caixa de lencinhos vazia...
Ligo a tevê e percebo que não é só meu quarto que necessita de limpeza e arrumação.
“O mundo está ao contrário e ninguém reparou.” Ninguém repara, ninguém se importa se o mundo, ou, seu quarto está bagunçado; (as pessoas estão ocupadas demais para isto).
Minha mãe bate na porta.
“Entra”.
Respondi com a mesma frieza que olhei para a lagartixa.
“Mas que bagunça é esta Elizabete? Vamos, vamos arrumar este quarto. Você não tem vergonha de trazer suas amigas aqui desse jeito?”
(Retiro o que eu disse quando falei que ninguém repara. Mães... elas reparam tudo. E mais, te obrigam a arrumar).
Mas é que hoje eu quero deixar ele assim mesmo, bagunçado, sujo.
E quero ficar aqui do jeito que ele está. Ninguém, (além da minha mãe) vai entrar aqui, muito menos notar que as coisas estão fora do lugar. 
Quero ficar aqui com minha bagunça, tendo a lagartixa como amiga, e o teto branco como companhia, logo mais a noite chega, eu apago a luz, e posso chorar em paz.
Sem explicações e faxineira pra “arrumar” minhas coisas. Só eu, bagunça,  lagartixa e  só.
Sós!
Um estalo...
A bagunça “cria vida,” (como uma animação de desenho), e começa uma espécie de ‘guerra de travesseiros’ nada divertida.
Guerreiam para ver quem me destrói primeiro. 
A princípio pareço forte e inatingível, as horas passam, e o cansaço é eminente.
Me entrego.
Não posso lutar sozinha contra o motim da bagunça do meu quarto.
Eles são muitos, e  seria em vão, encará-los sozinha.
É tanto  tanto,  que me perco de mim em meio à bagunça, e a rebelião.
Começo a me procurar...
Dentro do armário, debaixo da cama, atrás das cortinas, por entre os pares de meias...
Impossível, enquanto não colocar tudo em seu devido lugar não me encontro mais.
E talvez perder-se, seja a melhor forma de se encontrar inteira novamente, ainda que para isso demore anos,  vinte e sete. Ou, quem sabe, isso dure só essa noite.
Isso não vem ao caso.
Cansada, perdida dentro do próprio quarto, me deito encima do monte de roupas pelo chão novamente.
Olhos fixos no teto, adormeço.
Para quem sabe em sonhos eu possa me encontrar em ordem e feliz.
No meu, ou, no quarto que era nosso.