segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Morfina para os excessos de faltas...


O lado ruim dos relacionamentos é que eles acabam.
Como tudo em mim só existe em excesso, sua estadia dentro de mim também é. 
Você me ocupa todos os espaços, da cabeça, do coração, está na minha corrente sanguínea, nas células...
Não me sobra nada, como um vírus que se alastra pelo corpo, você se alastrou dentro de mim. Tenho metástase de você, e não tem Morfina que cure a dor de ter em excesso dentro, e não te possuir.
Inspiro e aspiro você o dia todo, e quando eu durmo você está nos meus sonhos-pesadelos.
Acordo suada, em desespero saio em busca de esquecer sua presença noturna dentro da minha cabeça.
Tento me distrair olhando pro céu azul, mas azul era nossa cor preferida e de repente as nuvens no céu desenham seu rosto, e o vento que sopra, sopra seu cheiro em minhas narinas.
Os pássaros cantam, e a melodia me conduz até a nossa música, e olha que eu nem entendo de músicas, era você que fazia isso e fazia tão bem...
Me fazia bem.
E hoje tudo dói, cada lembrança dói; o coração e todos os músculos do meu corpo.
A metástase está me levando de mim.
Novamente. 
Uma vez que você já me levou quando soltou da minha mão e permitiu que eu saltasse do 20° andar sem suas asas de Borboleta pra me colocar segura no chão.
E hoje, além de morrer de metástase de você, morro também do impacto do meu corpo com o chão.
O lado ruim dos relacionamentos é que eles acabam.
Acabam com quem fica com os excessos.
Me acabei;
Morri;
de novo.

Status: Aguardado meu tempo de Fênix pra renascer das cinzas.

E por falar em cinza, cadê as cores dos meus dias? 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Transbordando você



É quando não caibo dentro de mim que me deságuo por aqui.
Os meus excessos já são tantos que quase não consigo mais me expressar. Abro e fecho o editor, tento organizar em mim todos os sentidos escondidos que anseiam ser ditos-livres.
Transbordo.
Transbordo em dizeres embutidos, me transbordo de dentro pra dentro de um nó’s que só existe no mundo das ideias.
E como queria que fosse tudo real, que as nossas ruas se encontrassem num cruzamento movimentado.
Como queria que fosse possível parar o tempo num de nossos encontros. 
Ainda que seja no “oi, como você esta?” “A tá tudo muito corrido...”
Como queria que seu tempo corrido parasse no meu, pra descansar nos meus braços e adormecer ao meu lado.
Por mais que abstraia, que distraia, entre um pensamento e outro é sempre em você que eu paro.
Mas o tempo é traiçoeiro e passa rápido demais.
Quando eu vejo, o presente ao seu lado já se tornou “pretérito-imperfeito”, e novamente me encontro no mundo das ideias, onde tudo é perfeito.
E tenho sonhado com sua ‘perfeição’, com seu sorriso, com seu pequeno abraço.
Mas é que mesmo pequeno eu caibo tão bem dentro dele, que poderia morar aí pro resto da minha vida.
E é entre uma noite insone e outra, que te encontro nos meus excessos de cruzamentos movimentados aqui dentro.

E percebo que tem trasbordado você dentro de mim. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Com o olhar do outro

Compartilhando insônias...

Tinha nos olhos uma esperança infindável, olhos de querer que o mundo inteiro coubesse em suas mãos.
 Ah, aqueles olhos, olhos estes que desejavam ver todos os pores do sol e todos os nasceres da lua para sentir que, dentro de seu peito havia ainda um coração que tilintava. 
Sentia, e ah! Como sentia. 
Sentia não caber dentro de si a vontade de conhecer o mundo, sair sem rumo, pra um lugar qualquer. Conhecer a bagunça de outras pessoas, já cansada de sua própria.
Tantas vezes fechou a porta das suas próprias vontades, ora por achá-las tolas, ora por medo de errar. Mas, errar é humano, lhe disseram. 
Não gostava da sensação de errar, sentia que lhe atrasava a vida, até que caiu na real de que a vida é construída em cima dos erros. Amadureceu, cresceu, amadureceu mais e continua na ânsia de viver coisas que pensa estarem longe de seu alcance, aqueles sonhos que só conta para o travesseiro.
À noite sempre lhe é mais agradável, o silêncio lhe conforta, o manto de estrelas lhe abraça e lhe coloca para dormir. Sente como já disse que todos os dias são uma oportunidade de fazer tudo diferente, tudo mudar, tudo de novo (talvez), tudo de tudo um pouco. 
Sente que a liberdade e aconchego possam estar na ponta de um lápis de cor rabiscando um sol amarelo numa folha de caderno.
E, por último, aqueles olhos enxergam um futuro no qual poucos lhe atribuem.
 Os mesmo olhos dos quais por diversas vezes não precisam de palavras que os traduzam, falam por si só. E, sempre que a noite cai, e seus olhos não conseguem mais enxergar, ouve o som do seu coração sufocado falar bem baixinho: “acredite, tudo vai dar certo!”. Então adormece. 
Amanhã é um novo dia afinal.

Das Insônias alheias...

Tassiana Garcia-Alma de artista, coração de poetiza. <3