domingo, 27 de dezembro de 2015

des-organiz(ação)

Elizabet saiu numa tarde a fim de distrair seu coração.
Caminhou por entre os carros, e pessoas agitadas, hora do "rush", tanto do lado de fora como de dentro.
Enquanto todos procuravam voltar pra casa, Elizabet só queria se afastar, ficar o mais longe possível de tudo que pudesse lhe parecer familiar.
E ela conseguiu por um tempo.
Parou em um bar qualquer, desses do copo sujo que o pessoal fala, pediu uma cerveja, sentou sozinha.
Sempre muito comunicativa, não foi difícil fazer amizades e conhecer pessoas bacanas.
E ela conheceu.
Pessoas que coloriram aquele fim de tarde, enfeitaram e deram sentido à cerveja despretensiosa.
É fato que o tempo passa e logo virou noite. Algumas pessoas foram embora do bar, mas Elizabet permaneceu. (ela não costuma desistir fácil das coisas)__ e sair cedo do bar, ou de qualquer outro lugar não estava nos seus planos. Ela fica até fechar e não se envergonha disso.
Sai de lá de madrugada, ninguém na rua, volta pra casa sozinha, embora tivesse conhecido algumas pessoas, ninguém bom o suficiente pra voltar pra casa com ela. Mesmo porque, ela nem era dessas coisas casuais.
Elizabet mergulha fundo em suas relações, não fica na superfície. Talvez esse fosse o motivo de não sair do bar enquanto as portas estivessem abertas.
Elizabet é intensa demais pra isso. Oito ou oitenta.
Um dia normal, não fosse entrar em seu apartamento e perceber que estava revirado. (o álcool tem o dom de nos fazer enxergar o que a sanidade nos ofusca).
E foi assim, que ela percebeu que havia uma bagunça que ainda não conseguira arrumar.
E ela têm as opções: arrumar aquela desordem, ou dormir e deixar pra outro dia, e depois outro, e outro e outro até não ter mais jeito.
Ela abre uma latinha de cerveja, senta em seu sofá, e pensa durante toda a noite no que fazer com aquela bagunça toda.
Amanhece o dia e não tem conclusão nenhuma.
Descansa esse coração Elizabet!


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Mu(dança)


Há quem nos leva quando parte...
sentidos, sorrisos, abraços, ouvidos, 
desejo, anseio, buscas e sonhos,
presença, fome, sono...
Insônia
Pausa...

respira, re-conhece, conhece, abraça, sente.
Devolve...
"Toma Elizabet, fica com você pra você."
É seu. Só seu. Cuida. 
Se cuida.
Descansa. Dorme. 
Sonha...
Agradece.
Tem coisa boa, sempre tem. 
Pára. 
Olha. 
Vem vindo coisa positiva aí.
Espera. 
Mantenha a calma, pensa, re-pensa. 
Sente.
Re-sente. 
Cura.
Vai.
Dança, dance.. que se dane,
que dance-se.
Mexe. 
Mexa-se. 
Muda.

"Muda, que quando a gente muda, o mundo muda com a gente."


"o passado muda o tempo todo, na medida em que seu olhar sobre ele também muda"

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sem medo de afet-ar (se)


Era mais uma batalha, só mais uma tendo em vista tantas perdas e vitórias na vida de Elizabet.
Nunca fez questão de vencer, já havia se adaptado a perder, embora não soubesse lidar.
Será mesmo que não sabia?
"Você só sente que sabe, ou não, depois que passa," disse alguma voz que ecoava ali dentro.
A verdade é que Elizabet gosta mesmo é de ir à guerra, vestir-se de sua armadura e pagar os preços.
O preço do cativar, do se permitir ser cativada,
"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar."
Elizabet sabia disso, e vivenciava sempre essa verdade com a dignidade que ela merece.
Elizabet sempre soube dos riscos que corria ao se encantar/cativar/guerrear.
Corre-se o risco de perder membros pelo caminho.
Corre-se o risco de morrer vez ou outra.
Corre-se o risco de ficar sem; de sentir faltas, de sofrer com excessos.
Corre-se o risco de descobrir-se vivo.
Sim.
Só se sabe vivo aquele que se permite perder/sofrer/chorar.
E é necessário perceber-se vivo em meio às batalhas da vida.
E Elizabet enfrenta o exército inteiro, hora montada em seu cavalo, hora com os pés no chão...
Ela  luta/ama!
Sobe aquela ladeira guerreando, com armadura pesada; sua, sangra, chora, morre.
Sem descansar.
Chega no ponto alto e pode fitar o horizonte e o poente lá de cima.
Elizabet sente que vale a pena amar/perder/vencer porque sabe que em meio às adversidades o sol se põe no fim do dia, e isso basta. O cronômetro na vida não pára.
Elizabet sabe que no dia seguinte outas batalhas virão, outros partirão, e seus olhos poderão novamente ser umedecidos pelas lágrimas do 'cativar-se'.
Mas não tem problema.
Veste-se da armadura e permite sentir-se viva por mais 24 horas...
Vinte e sete pores-do-sol.
Está pronta para ser cativada novamente.

E de manhã, antes da batalha, ela pede na padaria da vida: "Uma dose de afeto por favor"?

ps: com licença poética, extraindo a bagunça de ser.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Borboleta e e-feito


Elizabet estava cansada da monotonia de seu sofá. Cansada da mesinha de estudos e das paredes do quarto. Elizabet conhecia cada canto de seu apartamento, cada lagartixa da parede, cada formiga do chão.
Já havia decorado quantos azulejos existiam na parede da cozinha e do banheiro. Sabia de cor e salteado quantos minutos gastava de casa para o trabalho. 
Elizabet sofre de boa memória! É bom frisar. 
Se conhecia como a palma de sua mão. Ironia. Sabia do que gostava e do poderia vir a completá-la um dia. 
Elizabet só não sabia que era borboleta e que possuía asas. 
Uma borboleta linda por sinal. 
Asas azuis, cor do céu, com algumas manchinhas lilás. 
Elizabet percebera, a tempo, que era hora de sair do casulo, uma vez que haviam lhe arrancado a casca. Na marra, sem anestesia. 
Hora de voar pequena!
O medo do novo tomou conta de seu ser, mas a vontade de voar e experimentar o vento sobre suas asas era maior que o medo da altura. 
Elizabet se decide por sair do casulo. Decisão difícil por sinal. 
A princípio era difícil permanecer no alto. Voava um pouco e logo voltava ao solo por se sentir mais segura ali. Mas não dá pra fugir da nossa natureza. 
E borboletas foram feitas pra enfeitar o céu/vida, e por mais que fosse atraída pela "segurança" do chão, no fundo, lá no fundo, ela sabia que seu lugar era no alto. 
E ela voa...
E como é bom poder cumprir com a missão de sua existência. Simplesmente voar e ver a vida la de cima. 
É bom poder se distanciar da realidade. Subir, subir até se perder em meio às nuvens e poder brincar de algodão doce lá em cima. 
Elizabet esquece as coisas fixas lá de baixo, e se "prende" ao toque do vento lá em cima. 
E em fim pode se sentir livre pra ser. 
Livre pra pousar nos jardins/vidas e sugar o néctar das flores.
Livre pra viver o efeito borboleta do ser. 
Elizabet descobre que pode ser feliz. Voando. 
Voa borboleta! 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ser. Hoje.


Hoje sou árvore.
Sinto-me árvore. 
Alta, esguia, longilínea, imponente. 
Mas em meio à mata fechada da vida, ser árvore pode não significar tanto. 
É só mais uma em meio ao 'mar verde' de árvores habitáveis e habitadas.
Não sou árvore habitada, embora seja habitável. 
É que os pássaros que pousam, são ligeiros e logo voam, vão embora.
E eu os entendo. 
Pássaros foram mesmo feitos pra voar.
Mas às vezes faz falta alguém morando por aqui, seja do lado de dentro ou de fora. Um João de Barro talvez. Por que não um Beija-flor? Uma Calopsita, seria lindo. Um Canarinho amarelo não seria uma má ideia. 
Mas todos eles voam, e privá-los de sua natureza não seria legal da minha parte. 
As corujas... Talvez elas queiram habitar-me. 
Mas quando chega a noite elas também voam pra longe, e de dia...Quem precisa de companhia enquanto o sol brilha? 
Talvez se eu voasse... 
Ter minha raiz presa às vezes me incomoda. É difícil ser árvore-livre. 
Mas embora "presa", sinto ser tocada...
Vento forte, brisa suave, tempestades e chuviscos. 
Sinto-os com a intensidade que merecem ser sentidos. 
Às vezes algumas lágrimas se misturam aos pingos da chuva que desenham meu corpo-tronco. 
Árvores também choram, e quando são machucadas por terceiros, passam quase que despercebidas.
Não sou árvore todos os dias, mas sou hoje. 
E hoje, sendo o que sou, dou me o direito de sentir que vale a pena existir. 
Mesmo na solidão "acompanhada" que vivencio, vale a pena os percalços da existência.


"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

domingo, 20 de setembro de 2015

A expressão da falta

                        Saudade, é um legado que só ganha quem um dia soube amar na essência!
Sobre faltas, ausências e amor. #Papai

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Pra não dizer que não falei da chuva



O céu tá desabando lá fora e, aqui dentro, embora limitada, eu sigo.
Por todos os cômodos, ou sentada numa poltrona velha, eu sigo.
É meu jeito de seguir.
Gosto desse clima úmido e do céu cinza, algum canto do meu eu se identifica e se sente à vontade.
Por falar em vontade, ela cresce.
Vontade de ser feliz hoje e amanhã.
E quando o depois de amanhã chegar ser feliz de novo.
Embora esteja tudo cinza do lado de fora, e meu lado de dentro se identificar com isso, sentir-se em paz é tudo que eu preciso.
Uma boa xícara de café quente, um bloco de notas, o barulho da chuva e a certeza de que por traz das nuvens carregadas, brilha um lindo sol. É tudo que eu preciso pra ser feliz hoje, e amanhã, e depois, e depois...

Estar em paz independe do lugar em que você está!
Lá fora chove, mas um sol brilha aqui dentro, sinto-me aquecida entre um raio e outro, que perpassa os obstáculos e me atinge.
Faça chuva ou sol, poltrona ou sofá de três lugares, eu seguirei.
Seguirei sempre.
Sigo em paz!


sexta-feira, 17 de julho de 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Faxina de sent-idos


Elizabet estava cansada demais aquele dia, cansada de tudo e de todos, tudo que ela queria era tirar férias dela mesma e viajar pra um sub-mundo onde não encontrasse as mesmas pessoas de sempre.
Elizabet chegou em casa já era noite, tirou o salto, jogou a bolsa em qualquer canto, acendeu um cigarro e por alguns minutos teve paz...
Cigarro queimando, e seus pensamentos viajando com a fumaça, sumindo. Elizabet talvez não estivesse mais na sala de sua casa acompanhada de um cigarro à meia luz.
Era tarde, e embora cansada Elizabet percebe que enquanto as coisas estivessem fora do lugar ela não descansaria.
"Arruma a casa Elizabet"... Talvez fosse a voz de seu interior falando..
"Olha pra esse apartamento! Passou um furacão aqui."
Sim, havia passado uma tormenta naquele lugar, mas isso não importa mais.
É hora de arrumar as coisas, colocá-las no lugar...
Começa pelas gavetas.
Organiza as coisas, joga fora papéis. Retira aquelas roupas que não usa mais, (elas irão pra doação)
Limpa a mesinha do escritório, sem marcas da caneca de café e cinzas de cigarro.
Coloca as roupas na máquina, troca as roupas de cama, tira o pó.
Limpa o chão. Retira as pegadas de todos os que tiveram ali.
Porra, isso cansa!
E no final da faxina, sozinha, Elizabet toma um banho pra relaxar, acende um cigarro e sozinha ela dança pela madrugada em sua casa.
Elizabet está em paz e pronta para o novo dia que está prestes a chegar.

"Sereno é quem tem a paz de estar em par com Deus!"

terça-feira, 23 de junho de 2015

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Não ame aqui


Descobri que sou um perigo para mim mesma. 
Sinto, demasiadamente tudo.
Se é pra gostar,
gosto descomedidamente,
se é pra sentir,
sinto.
Sinto. Muito.
Se é pra amar, amo em demasia.
Isso tem me feito um mal danado.
É que amar nesses tempos é coisa de gente corajosa.
E eu, que nunca tive medo de nada...
Sempre fui das que pula na piscina primeiro, independente se a água vai ta gelada, ou, se daria pé pra mim ou não.
Sempre fui a que subia primeiro nas árvores, e a que enfrentava o cachorro bravo do visinho na hora de pular o muro e buscar a bola da galera.
É que amar, hoje, é mais perigoso que o pitbull do visinho e sempre termino faltando membros.
"Quem fica é quem sofre" as faltas de membros.
Sou um perigo pra mim.
De hoje em diante, declaro fechada a temporada de se entregar em endereços errados.



 Quem vai, vai porque precisa
Quem fica, fica porque não pôde ir
Quem fica é quem sofre ♪♫



Me salvem de mim


Onde eu aperto para ser outra pessoa?
Como faz pra abrir este ziper e abandonar essa carcaça?
Cansei de mim.
Cansei de me ser.
Cansei de pensar o que penso, de amar o que amo, de esperar o que nunca virá.
Quero ser outra pessoa.
Um mendigo qualquer talvez, que não tenha a vida que tenho.
É responsabilidade demais carregar esse TANTO de eu dentro de mim.
É tudo muito do lado de dentro, embora eu não seja não grande assim.
Alguém me salva de mim?
Eu me mato diariamente por um amor que já matou outras 27 vezes, e mesmo assim me arrisquei pela 28° vez, e morro.
Eu sempre morro no final!
Que morte horrível!
Quero des-ser!
Descer, correr, sumir...
Qualquer coisa que não seja eu, dentro de mim mesma.
Aceito ser o passarinho da gaiola, ou a borboleta, o a abelhinha...São tantos personagens que já nem sei mais quem sou.
Só sei que dói.
Sangra, arde.
Quero des-ser!
Onde clica pra passar de fase, e começar um jogo novo?
É que eu cansei dessa lutinha, e esse negócio de quem chega primeiro nas corridas também não tem nada a ver comigo.
E por falar em mim, cadê eu?
Parti.
Me partiu. em. mil. pedaços.
Part-ir.
Ir.
Fui. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Pens(a-n-do)


Sinto saudades do que fui, e do que seria, se tivesse sido tudo diferente.
Hoje me sobram espaços, lacunas, perguntas ansiosas por respostas.
E são tantas marcas que ja fazem parte do que eu sou agora, mas ainda sei me virar...
Eu sempre soube. E ainda que vire, revire, me vire do avesso eu ainda te encontraria em mim.
Quero des-ser.
Onde aperta pra trocar de armadura? É que eu cansei de habitar este corpo que não mais me pertence. Porque te entreguei tudo que eu era, e quando partiu não me restou nada além de saudade e espaços vazios.
Hoje transbordo vazios, que um dia foram cheios de você.
Me entreguei.
Saltei de um penhasco sem pára-quedas, esperando ser amparada. Mas você não estava mais lá, e me despedacei com o impacto ao chão.
Coração que já havia sido colado outras 27 vezes, em pedaços novamente.
Levanta, sacode a poeira e da a volta por cima Elizabeth!
Não é tão simples assim.
João de Barro eu te entendo agora...
A mesma que matou o Dragão, se cansa da Princesa e a devolve ao castelo.
Simples assim.
Antes o Dragão tivesse vivo para servir de companhia no castelo.
Castelo vazio.
Coração despedaçado.
Vazio.
Vazio. Vazio. Vazio... Repete.
Calma, espera, que nada melhor que o tempo pra colar os pedaços e te fazer inteira novamente.
Será que temos esse tempo pra perder?



sexta-feira, 12 de junho de 2015

sábado, 30 de maio de 2015

Caution


Não estava bem aquele dia, resolvi dar uma volta pelo bairro mesmo desacreditando em tudo e todos.
Já não havia nada de verdadeiro, e até a paisagem me parecia falsa, como se fosse uma pitura mal feita.
Algumas voltas e avisto uma casa que nunca avistara ali, embora conhecesse bem o local.
Era uma casa chamativa e me convidara a entrar e descobrir os escondidos do imóvel.
Embora com medo, pois não conhecia o lugar, resolvo entrar... Havia ali uma madeira podre, não se podia pisar em todos os lugares, o solo era inceguro demais. Mas não tinha problema, pra quem já estava com o corpo todo machucado dos tombos da vida, um arranhãozinho ali, não seria nada.
Passei tanto tempo la dentro conhecendo o lugar, tinha quartos bonitos e iluminados, mas também havia quartos escuros abandonados.
Eu quis conhecer todos, afinal, já estava la dentro...
"Pobre Elizabet", a casa pensava. Era uma armadilha. E mesmo sendo sagaz e vivida, não havia percebido o ardil em que havia caido.
A vida sempre nos surpreende, e nem sempre é positivo.
O solo incerto e inceguro me fez cair dentro de um alçapão, "e agora? Como sair dali de dentro?"
Indagava eu incessantemente. Estava ali, sozinha, presa em um lugar escuro e desconhecido.
Nada podia fazer eu, a não ser sentar em um canto qualquer que me colbesse, e chorar...
Chorava muito la dentro. Sentia falta do ar de fora e até mesmo da paisagem pintada. La dentro era escuro demais, gelado demais, mórbido demais.
Mórbido silêncio.
Chorava.
E a única coisa que ouvia era o barulho dos meus soluços, e de uma ou outra lágrima que ousava ir adiante e tocar o chão.
Não sei ainda o que fiz pra sair de lá, sei que consegui.
E desde então, não me atraio mais por casa nenhuma.
Saí, tranquei aquela porta e joguei a chave fora, que é pra não correr mais riscos.
Do lado de fora, embora não pareça verossímil tem um chão firme, e é iluminado. Dá pra ver onde estou pisando. E hoje, saber onde piso é primordial.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Chave


Cheguei, bati na porta, toquei a campainha, gritei, gritei, gritei.
Ninguém atendeu.
Sentei nos degraus da porta e pude perceber a paisagem à minha volta.
Tempo seco, céu azul, folhas secas pelo chão, ao fundo um laguinho e uma árvore desfolhada do lado.
O jardim estava por fazer, e a rua era deserta, ninguém me veria ali (Talvez fosse essa a intenção) pensei.
Passei tanto tempo sentada naquele degrau, em monólogo interior que havia esquecido o motivo que me levara àquela casa.
A princípio, queria poder entrar e descansar no sofá da sala.
Novamente chamo, na esperança que fosse atendida e convidada para entrar.
Em vão.
Não me importava em  encontrar a porta trancada, mas eu gostaria mesmo era estar la dentro, que fosse abandonada em um cômodo qualquer.
Levantei a fim de caminhar até o portão e voltar pra casa, pus as mãos nos bolsos da calça e senti um objeto, era uma chave enferrujada. (Talvez fosse compatível com aquela porta) pensei.
Mas hesitei.
Tive medo do que encontraria lá dentro.
Talvez o sofá nem estivesse mais na sala e eu não teria mesmo lugar pra esticar as pernas.
Guardei-a novamente no bolso.
Caminhei de volta pra casa, perdida pelo caminho, ou por entre meus pensamentos que nunca me deixaram.
Embora eu não tenha sofá, há sempre uma rede posta, me esperando pra descansar onde seria a sala.
E a chave? Bem...
Eu ainda tenho, só não sei o que fazer com ela.






quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Camisa errada


Cheguei em casa, tirei a roupa de trabalho e como se fosse para uma batalha de guerra, me equipei.
Calcei as chuteiras, vesti os meiões, caneleiras e por fim, a camisa do time. Estava pronta, sempre pronta por sinal.
Saí com 30 minutos de antecedência, que era pra não chegar atrasada, causar sempre uma boa impressão ao time.
Entrei pro vestiário ainda faltava algumas pessoas, mas não importava porque eu estava lá, cumprindo com meu dever, fazendo tudo milimetricamente correto,para compensar a desordem do lado de dentro.
Hora do jogo, entro em campo como se minha mãe me visse jogar, com toda euforia de uma criança, jogo.
Faço gols, faço faltas, levo faltas, juíz filho da puta, 90 minutos em ação. (Parece pouco quando se está do lado de fora).
Fim de jogo.
Me direciono novamente ao vestiário, está cheio, treinador animado com a vitória de hoje. Parabéns pra todo mundo, vamos comemorar no bar da esquina.
Fomos todos, embora parecesse um peixe fora dágua, meu lugar é realmente o campo, pensava eu.
Fim das comemorações, de volta ao apê...
Hora de retirar a armadura da batalha de hoje, me desmonto, l i t e r a l m e n t e.
Sem chuteira, sem caneleira, calção ou camisa, percebo ter vestido a camisa do time errado.
Não era essa, não era esse o jogo, não era esse o time, nem esse adversário.
Tudo bem, ganhamos.
Ganhamos?

Hora de jogar o jogo certo
...
oops, errei de novo. Camisa errada!