quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Chave


Cheguei, bati na porta, toquei a campainha, gritei, gritei, gritei.
Ninguém atendeu.
Sentei nos degraus da porta e pude perceber a paisagem à minha volta.
Tempo seco, céu azul, folhas secas pelo chão, ao fundo um laguinho e uma árvore desfolhada do lado.
O jardim estava por fazer, e a rua era deserta, ninguém me veria ali (Talvez fosse essa a intenção) pensei.
Passei tanto tempo sentada naquele degrau, em monólogo interior que havia esquecido o motivo que me levara àquela casa.
A princípio, queria poder entrar e descansar no sofá da sala.
Novamente chamo, na esperança que fosse atendida e convidada para entrar.
Em vão.
Não me importava em  encontrar a porta trancada, mas eu gostaria mesmo era estar la dentro, que fosse abandonada em um cômodo qualquer.
Levantei a fim de caminhar até o portão e voltar pra casa, pus as mãos nos bolsos da calça e senti um objeto, era uma chave enferrujada. (Talvez fosse compatível com aquela porta) pensei.
Mas hesitei.
Tive medo do que encontraria lá dentro.
Talvez o sofá nem estivesse mais na sala e eu não teria mesmo lugar pra esticar as pernas.
Guardei-a novamente no bolso.
Caminhei de volta pra casa, perdida pelo caminho, ou por entre meus pensamentos que nunca me deixaram.
Embora eu não tenha sofá, há sempre uma rede posta, me esperando pra descansar onde seria a sala.
E a chave? Bem...
Eu ainda tenho, só não sei o que fazer com ela.