sábado, 30 de maio de 2015

Caution


Não estava bem aquele dia, resolvi dar uma volta pelo bairro mesmo desacreditando em tudo e todos.
Já não havia nada de verdadeiro, e até a paisagem me parecia falsa, como se fosse uma pitura mal feita.
Algumas voltas e avisto uma casa que nunca avistara ali, embora conhecesse bem o local.
Era uma casa chamativa e me convidara a entrar e descobrir os escondidos do imóvel.
Embora com medo, pois não conhecia o lugar, resolvo entrar... Havia ali uma madeira podre, não se podia pisar em todos os lugares, o solo era inceguro demais. Mas não tinha problema, pra quem já estava com o corpo todo machucado dos tombos da vida, um arranhãozinho ali, não seria nada.
Passei tanto tempo la dentro conhecendo o lugar, tinha quartos bonitos e iluminados, mas também havia quartos escuros abandonados.
Eu quis conhecer todos, afinal, já estava la dentro...
"Pobre Elizabet", a casa pensava. Era uma armadilha. E mesmo sendo sagaz e vivida, não havia percebido o ardil em que havia caido.
A vida sempre nos surpreende, e nem sempre é positivo.
O solo incerto e inceguro me fez cair dentro de um alçapão, "e agora? Como sair dali de dentro?"
Indagava eu incessantemente. Estava ali, sozinha, presa em um lugar escuro e desconhecido.
Nada podia fazer eu, a não ser sentar em um canto qualquer que me colbesse, e chorar...
Chorava muito la dentro. Sentia falta do ar de fora e até mesmo da paisagem pintada. La dentro era escuro demais, gelado demais, mórbido demais.
Mórbido silêncio.
Chorava.
E a única coisa que ouvia era o barulho dos meus soluços, e de uma ou outra lágrima que ousava ir adiante e tocar o chão.
Não sei ainda o que fiz pra sair de lá, sei que consegui.
E desde então, não me atraio mais por casa nenhuma.
Saí, tranquei aquela porta e joguei a chave fora, que é pra não correr mais riscos.
Do lado de fora, embora não pareça verossímil tem um chão firme, e é iluminado. Dá pra ver onde estou pisando. E hoje, saber onde piso é primordial.