quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Mu(dança)


Há quem nos leva quando parte...
sentidos, sorrisos, abraços, ouvidos, 
desejo, anseio, buscas e sonhos,
presença, fome, sono...
Insônia
Pausa...

respira, re-conhece, conhece, abraça, sente.
Devolve...
"Toma Elizabet, fica com você pra você."
É seu. Só seu. Cuida. 
Se cuida.
Descansa. Dorme. 
Sonha...
Agradece.
Tem coisa boa, sempre tem. 
Pára. 
Olha. 
Vem vindo coisa positiva aí.
Espera. 
Mantenha a calma, pensa, re-pensa. 
Sente.
Re-sente. 
Cura.
Vai.
Dança, dance.. que se dane,
que dance-se.
Mexe. 
Mexa-se. 
Muda.

"Muda, que quando a gente muda, o mundo muda com a gente."


"o passado muda o tempo todo, na medida em que seu olhar sobre ele também muda"

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sem medo de afet-ar (se)


Era mais uma batalha, só mais uma tendo em vista tantas perdas e vitórias na vida de Elizabet.
Nunca fez questão de vencer, já havia se adaptado a perder, embora não soubesse lidar.
Será mesmo que não sabia?
"Você só sente que sabe, ou não, depois que passa," disse alguma voz que ecoava ali dentro.
A verdade é que Elizabet gosta mesmo é de ir à guerra, vestir-se de sua armadura e pagar os preços.
O preço do cativar, do se permitir ser cativada,
"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar."
Elizabet sabia disso, e vivenciava sempre essa verdade com a dignidade que ela merece.
Elizabet sempre soube dos riscos que corria ao se encantar/cativar/guerrear.
Corre-se o risco de perder membros pelo caminho.
Corre-se o risco de morrer vez ou outra.
Corre-se o risco de ficar sem; de sentir faltas, de sofrer com excessos.
Corre-se o risco de descobrir-se vivo.
Sim.
Só se sabe vivo aquele que se permite perder/sofrer/chorar.
E é necessário perceber-se vivo em meio às batalhas da vida.
E Elizabet enfrenta o exército inteiro, hora montada em seu cavalo, hora com os pés no chão...
Ela  luta/ama!
Sobe aquela ladeira guerreando, com armadura pesada; sua, sangra, chora, morre.
Sem descansar.
Chega no ponto alto e pode fitar o horizonte e o poente lá de cima.
Elizabet sente que vale a pena amar/perder/vencer porque sabe que em meio às adversidades o sol se põe no fim do dia, e isso basta. O cronômetro na vida não pára.
Elizabet sabe que no dia seguinte outas batalhas virão, outros partirão, e seus olhos poderão novamente ser umedecidos pelas lágrimas do 'cativar-se'.
Mas não tem problema.
Veste-se da armadura e permite sentir-se viva por mais 24 horas...
Vinte e sete pores-do-sol.
Está pronta para ser cativada novamente.

E de manhã, antes da batalha, ela pede na padaria da vida: "Uma dose de afeto por favor"?

ps: com licença poética, extraindo a bagunça de ser.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Borboleta e e-feito


Elizabet estava cansada da monotonia de seu sofá. Cansada da mesinha de estudos e das paredes do quarto. Elizabet conhecia cada canto de seu apartamento, cada lagartixa da parede, cada formiga do chão.
Já havia decorado quantos azulejos existiam na parede da cozinha e do banheiro. Sabia de cor e salteado quantos minutos gastava de casa para o trabalho. 
Elizabet sofre de boa memória! É bom frisar. 
Se conhecia como a palma de sua mão. Ironia. Sabia do que gostava e do poderia vir a completá-la um dia. 
Elizabet só não sabia que era borboleta e que possuía asas. 
Uma borboleta linda por sinal. 
Asas azuis, cor do céu, com algumas manchinhas lilás. 
Elizabet percebera, a tempo, que era hora de sair do casulo, uma vez que haviam lhe arrancado a casca. Na marra, sem anestesia. 
Hora de voar pequena!
O medo do novo tomou conta de seu ser, mas a vontade de voar e experimentar o vento sobre suas asas era maior que o medo da altura. 
Elizabet se decide por sair do casulo. Decisão difícil por sinal. 
A princípio era difícil permanecer no alto. Voava um pouco e logo voltava ao solo por se sentir mais segura ali. Mas não dá pra fugir da nossa natureza. 
E borboletas foram feitas pra enfeitar o céu/vida, e por mais que fosse atraída pela "segurança" do chão, no fundo, lá no fundo, ela sabia que seu lugar era no alto. 
E ela voa...
E como é bom poder cumprir com a missão de sua existência. Simplesmente voar e ver a vida la de cima. 
É bom poder se distanciar da realidade. Subir, subir até se perder em meio às nuvens e poder brincar de algodão doce lá em cima. 
Elizabet esquece as coisas fixas lá de baixo, e se "prende" ao toque do vento lá em cima. 
E em fim pode se sentir livre pra ser. 
Livre pra pousar nos jardins/vidas e sugar o néctar das flores.
Livre pra viver o efeito borboleta do ser. 
Elizabet descobre que pode ser feliz. Voando. 
Voa borboleta!