domingo, 17 de janeiro de 2016

Desejos


Bebo sem hesitar uma garrafa de whisky.
Devoro um maço de cigarros baratos.
Viro noites em claro acompanhada por garrafas que vão se esvaziando.
Vinho, vodca, cachaça...
Cigarros.
Insônia.
Ela por sua vez tem nome, sobrenome e endereço fixo.
E eu, me entorpeço do desejo que tenho de ti.
Vou ingerindo álcool por não poder beber da fonte que é teu corpo.
Trago os cigarros por não poder tatear tua pele.
Viro noites em claro sonhando em possuir-te de forma única.
Monogâmica.
Sem rimas ou métrica, quero-te pra mim!

"Ah, bruta flor do querer!" 

"Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és" 

ópio


Aprisionada, fui ficando ansiosa, suando frio, não cabia dentro da casa, muito menos de mim.
Minha carcaça parecia uma armadura que encolhe aos poucos, esmaga a alma e sufoca o coração.
O coração por sua vez disparava.
Taquicardia, desespero, as veias saltavam a meus olhos.
Conseguia ver tudo a olho nu.
Por falar em nu, eu me despia do silêncio e botava pra fora todos os sintomas da abstinência de você.
Têm feito falta o efeito do ópio em meu organismo. É que um analgésico às vezes cai bem e esse corpo já tá cansado de se debater e perder o controle dele próprio.
Ele quer as rédeas novamente pra poder guiar seu destino, sem precisar de entorpecente nenhum pra isso.
Preciso de uma reabilitação com urgência antes que a engrenagem canse e resolva parar.
Preciso de óleo nas ferrugens de gente.
Preciso de reparação na armadura.
Preciso de mapa pra guiar o destino.
Um remédio qualquer que cure os sintomas do excesso de faltas, que supra as necessidades da alma.
Uma chave que possa abrir a armadura e a prisão de ser.
Uma dose de liberdade por favor?






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

su(a)-ndo


Elizabeth é dessas garotas que gosta de sair de si vez em quando, hoje ela decidiu que vai correr, não que queira ser essas moças fitness, mas é que ela precisa suar e botar pra fora um sentimento e outro.
O dia ta chuvoso, cinza, mas Elizabeth não se incomoda com a umidade do clima. (Aprendeu a diferença de clima e tempo.)
Ela corre contra o tempo, ou ao encontro dele não se sabe...
Deseja arrebentar um muro no peito, cortar os pulsos, pular de pára-quedas, correr, correr, correr pra abstrair um sentimento ou outro que martela chamando sua atenção.
Chora de dentro pra dentro, engole o choro, mistura com saliva e a hemorragia do sentir.
É que correr aumenta a pressão sanguínea e a intensidade dos sentidos. 
Nem por isso ela pára. 
Suas expressões nada mais são, se não a extensão do que sente. 
Dor antiga. 
Corrida antiga... 
Tem corrido há tempos atrás de um amor que não se sabe se ama, não sabe que ainda é. 
Importa que continue correndo, suando, botando pra fora todo extremo sentido que habita esse coração cansado. 
Carece de se hidratar vez ou outra, que é pra não desmaiar no meio do caminho. 
Carece de estancar o sentir, sentar num meio fio qualquer e descansar a alma.
Carece de parar a corrida do/contra tempo. 
Carece de encontrar o que busca, parar, respirar, e sentir a chuva que cai sobre o rosto molhado. 
Uma toalha pra secar o suor da alma por favor? 


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ver(ter) amor


Acho que exagerei  na dose outra vez.
Não tem Dramin que resolva esse enjoo.
O problema é que não me contento com pouco sabe?! Cheguei, sentei à mesa e mandei pra dentro tudo que pude.
Tinha amor numa garrafa, afeto num potinho, atenção no outro, carinho tinha bastante. Deu pra me embriagar.
Até servi o resto das pessoas que estavam na casa, e sobrou.
Todo mundo cheio de doçuras.
Mas como diz o ditado: barriga cheia pé na areia."
Não hesitou na hora de ir. e foi cedo.
Agora cá estou, Elizabet, com má digestão do afeto ingerido.
Quero vomitar.
Vomitar meu coração e segurá-lo na mão pra ver se o mal estar passa.
Coloco o dedo na garganta e... arrrrrg.
Não sai.
Tá preso.
Tá cheio do vazio que restou.
Um Engov pra esse coração por favor?!