terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Era sol o que faltava


O céu chorou água salgada. Deu pra sentir o gosto porque tomei banho de chuva.
Lavei a alma, como dizem. 
Molhou as roupas no varal e as plantas do jardim. Amanhã o mato vai estar verdinho. 
Molhou o travesseiro também, escorreu e lavou o coração. 
Não sei até que ponto lavou, mas fato é q umedeceu tudo. Ta até mais fácil de respirar. 
"Chorar é bom" disseram. 
Mas não choveu o suficiente porque desde cedo lhe ensinaram a engolir o choro. 
E caso chovesse, era protegida por guarda-chuva, capas e galochas. 
Acordou no dia seguinte olhou pro céu e viu que havia nuvens carregadas. 
Pensou "tem mais água pra cair". 
Hoje, Elizabeth não sabe se se protege, ou deixa molhar. 
Na dúvida, engole o choro, põe um sorriso no rosto e espera o tempo abrir. O de dentro, e o de fora. Há de fazer sol novamente! Essa é sua certeza pra vida. 
Passou um café, acendeu um cigarro e fez do livro de cabeceira companhia e ouvidos que a ouvissem. Falou pouco e o estomago doeu por isso. Ouviu mais, filtrou informações e abstraiu outras. 
Viajou com a nova personagem que conhecera no livro. Se apaixonou, se encantou, sorriu junto e riu dela várias vezes. Mas todo livro tem um fim, assim como os dias de chuva. 
Há de fazer sol novamente! 
Unica certeza de Elizabeth.