segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

In-sonhos


Atormentada por pensamentos Elizabeth acha que está enlouquecendo.
Ouve vozes e sente que há alguém morando dentro de sua cabeça.
Há tempos não sabe o que é dormir tranquila, tem sempre alguém ali martelando uma presença incessante que nem é tão presente assim. Digo, de presença física mesmo.
Levanta várias vezes na noite, fuma seu masso de cigarros de filtro vermelho talvez na intenção de inalar aquela presença ausente.
Traga o cigarro quase que engolindo a realidade dura da solidão da noite. Engole a fumaça e o choro, lê algumas páginas do livro velho na cabeceira da cama, abre as cortinas e o coração.
E se? Os "e se's" ecoam como se gritasse para o nada de uma caverna escura, e voltam pra ela martelando possibilidades que não aconteceram e não acontecerão.
E ela nem precisa entender de gramática pra saber que ambos são diferentes mas neste contexto significam a mesma coisa.
Fecha o livro, toma um banho gelado, vai até a cozinha e a garrafa de café está vazia sobre a mesa. Eis o motivo da insônia- pensa. Mas não da pra enganar a si mesma.
A insônia tem nome e não é a cafeína.
Uma última garrafa de vinho no 'barzinho' da sala é desejada como quem deseja uma sobremesa pós amoço de domingo.
Aproveita que este pode ser suprido se embriaga de vinho e de desejo que insiste em dizer "eu estou aqui dentro da sua cabeça e não, você não terá paz".
Os primeiros raios de sol quebram a escuridão da noite e invadem o chão da sala. Ilumina a casa de dentro e de fora.
Hora de acordar do pesadelo de não possuir a presença desejada.