terça-feira, 23 de maio de 2017

XII


Atenção passageiros do voo: XII, mantenham-se assentados.
Não, pera. Podem ficar de pé.
Na verdade podem pular, dançar, beber, se drogar e beber mais. Álcool, muito álcool.
Podem "deletar" o passageiro que o incomodar, desferindo-o pela janela. Podem passar com o avião sobre aquele I-N-S-U-P-O-R-T-A-V-E-L.
Caso o voo te seja enjoativo, estamos servindo antidepressivos e ansiolíticos, é só pedir para uma de nossas aeromoças.
Nem precisa de receita azul, aqui tudo é permitido. 
Tragam suas bebidas e crushs, e tragam também os celulares. Temos um ótimo serviço de internet via Wi-Fi, para facilitar na hora baixar aplicativos. 
Por falar neles, baixem o Tinder, opção aqui é o q não falta. TODAS as opções na palma da sua mão. Num clique. 
Tudo aqui é muito facilitado. Vocês vão A-M- A-R o voo. 
Para o caso de se cansar de alguém, não tem problema. 
Ignore! 
Repito: aqui tudo é permitido!
...

(Falha na comunicação passageiros. Desculpem-me o equívoco. Há uma coisa q não é permitido pelo regulamento, e pode levar à exclusão: "Proibido se apegar!" 
Leram o regulamento? Ta bem, leia com atenção e assinale no espaço embaixo onde diz: "li e concordo com os termos de uso". 
Viu só, é simples, prático e divertido. 
A companhia só não garante 100% de satisfação quando tocarmos o solo. 
É que a realidade lá embaixo é um pouco diferente da daqui de cima. E uma vez com os pés no chão, perceber- se sóbrio e solitário pode doer. 
Bem, mas se isso acontecer, nada te obriga a permanecer com os pés no chão não é mesmo?!
Volte quando quiser e venha voar conosco. Até que mudemos de voo, século e humanidade.
Apertem os cintos! 
Vamos des-(colar).

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Mau tempo no Olimpo

Tudo corria dentro da normalidade no Olimpo, não fosse aquele vendaval no final da tarde. Nada se enxergava em meio a nuvem de poeira que subiu, e ali permaneceu por alguns dias. 
Os deuses chegaram a ficar preocupados, uma vez que as musas abandonaram seus cânticos e sopros aos poetas. 
É que a poesia deixa a vida mais leve, e todos já estavam fartos dos fardos pesados que carregavam. 
Afrodite se esfriara e parara de sorrir; Ares, cansado das batalhas, dormiu por dias; Atena, não tinha mais estratégias, e diga-se de passagem, assistiu ao caos sentada. Dionísio por sua vez, manteve-se sob efeito de álcool, não suportava o peso da realidade. Elizabeth, foi ter com Hades, já estava adaptada à realidade caótica de mar bagunçado junto a Poseidon. 
Quem soprara, além do tempestuoso vento, foi  Melpômene, sabia exatamente o que cantar. 
Não se sabe o que Elizabeth faz ali, mas ela sabe que ventanias passam. E que Aeon, ou Chronos, como preferia ser chamado, tudo resolveria-no seu tempo.  


  

terça-feira, 2 de maio de 2017

Afet(ar)-se


Elizabeth aprendeu que a Musa sopra seus poemas nos ouvidos do poeta, e este, só transcreve o que já existe.
A Musa ficou um tempo silenciosa, descansou a voz e o coração. Viajou pra longe, disse que não voltaria tão cedo.
Acontece que a Musa, assim como as borboletas, voltam.
Por mais que bata suas asas longe e colora outros céus, ela volta.
E bem... a Musa voltou.
E trouxe com ela nas asas da borboleta oxigênio pra que ela respirasse em paz. E soprou no ouvido de Elizabeth poemas e palavras doces.
Ela ouviu e guardou no peito, na caixinha dos afetos.
Como disse o poeta "o que a memória amou um dia fica eterno".
Ela sabe que uma vez amado/amada ta lá guardadinho, pra sempre.
Hora ou outra ela bota pra fora, doçuras, poemas e borboletas.
Guarda.
Aguarda, que a hora de libertar afetos e borboletas chega.